Nade 9 mil quilômetros e faça uma curva suave à direita

Os programas de localização geográfica são uma ótima sacada, já cheguei a muitos lugares — dentro e fora de SP — com a ajuda deles. Aí surgiu o Google Maps, um avanço que deixou esses programas ainda mais incríveis. Mas depois de ontem, meu conceito sobre o Google Maps — e sobre o Google em geral — despencou. Meu irmão me disse “vá ao Google Maps e peça uma rota de Belo Horizonte a Miami”. Fiz o que ele falou e achei muito legal, tudo bem explicadinho, rua por rua… Até o passo 43 (são 51 no total). NADE 9 MIL KILÔMETROS PELO OCEANO ATLÂNTICO.

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Quem se arrisca?

Ah, detalhe para o “curva suave à direita” depois da travessia. Ma che genti!

Sábado 13 Outubro 2007. Ma che beleza!!, VPP. Deixe um comentário.

O roncador ao lado

Dormir com alguém que ronca é péssimo. Mas dormir com um desconhecido que ronca é pior. Pois é, peguei um voo de São Paulo para Washington e, como se já não fosse ruim o suficiente pegar o assento do meio em uma viagem de nove horas, o ser humano do meu lado roncava como se não houvesse amanhã. Juro, como um porco. Dei umas cutucadas nele, mas nada aconteceu. Digo, as roncadas continuaram. Tentei os fones de ouvido do centro de entretenimento da aeronave, mas nada.

Meu pai é desse tipo que ronca um monte. A gente fechava todas as portas entre nosso quarto e o dele (que, na verdade, eram só duas) e o barulho era tanto como se ele estivesse bem ao nosso lado. Um inferno! Minha mãe desistiu de dormir com ele depois de 20 anos. E ainda agüentou bem, eu não suportaria uma semana.

É um negócio que tem conserto e é fácil, mas meu pai é muito preguiçoso. Argumentamos tudo: que isso faz mal, que ele tem apnéia noturna e pode morrer, que quando ele vai viajar, as pessoas se incomodam. Sabe qual é a resposta? “Eu durmo, se os outros não dormem, é problema deles”.

Olhei no dedo do meu vizinho de avião e ele tinha uma aliança no dedo. Fiquei imaginando que a esposa dele também deve se incomodar, também deve ficar embaraçada pelo cara (a “vergolha pela pessoa”), deve desistir e ir dormir no sofá às vezes. E que ele responde a mesma coisa.

Apelei para o volume máximo do meu iPod. Além de quase ficar surda, o barulho não disfarçava o problema do meu colega de voo. Já com raiva da situação e com medo de falar alguma coisa e acabar batendo no cara só de imaginar ele ser folgado como meu pai, achei imelhor encontrar outra solução.

Peguei minhas leituras, fui pra parte de trás do avião e lá fiquei lendo. Três horas. Uma maravilha. Quando terminei, já estavam servindo café da manhã. E o belo adormecido acordou feliz da vida.

Sábado 13 Outubro 2007. Ma che beleza!!. Deixe um comentário.